Dia 11: Salar do Uyuni - 0km
- Eles Vivem Viajando
- 3 de jan. de 2023
- 6 min de leitura
Atualizado: 28 de jan. de 2023
Terça, 03/01/2023
Hoje tivemos um dia de rei e rainha num Palácio. Só que não é qualquer palácio. Falo de um palácio construído com tijolos de sal, localizado dentro do maior deserto de sal do mundo - o Salar do Uyuni, que fica na Bolivia.
Já era de se esperar que as belezas naturais do Salar do Uyuni seriam surpreendentes. Mas ficar hospedados num hotel alí dentro exponenciou essa experiência algumas vezes!
Nosso quarto tinha uma janela de esquina que avistava diretamente o pôr do sol no salar - visão esta que nos recebeu ontem assim que entramos no nosso quarto. De dia, era possível avistar o vulcão Tunupa, grande e imponente.
O teto do quarto é construído como uma cúpula de iglu, com sobreposição de tijolos de sal formando uma escultura acima de nossas cabeças. As camas confortáveis, contavam com lençol e colchão de aquecimento elétrico. Tinha uma ante-sala e um banheiro amplo, com iluminação zenital e aquecimento independente. Fiquei imaginando o quão frio devia ficar ali - estávamos no verão, e a noite chegava a 3-4 graus!
Na saída do quarto, tinha um espelho d'água com chafarizes. Os corredores eram largos, e os pilares deixavam os tijolos de sal a mostra, assim como, uma estreita borda nas laterais do piso todas branquinhas forradas de sal.
No hall de acesso ainda tinha a decoração de Natal, o que deixava o ambiente mais aconchegante. De um lado, estava o bar e sala de jogos, com amplas janelas de vidro inclinadas, dando uma sensação de integração com o ambiente inóspito de sal do lado de fora. Do outro lado, um amplo restaurante que também mantinha toda essa magnitude. A decoração era aconchegante, com cores quentes, e muitas lareiras espalhadas pelos ambientes e corredores do Hotel.
Como se não bastasse, o hotel ainda tinha uma bela de uma piscina aquecida, com duchas e hidromassagem, num ambiente totalmente envolto de vidros do pito ao teto, com pé direito alto, integrando mais uma vez nossa gostosa sensação de estar imerso na água e ao mesmo tempo apreciando a vista de um deserto de sal.

Com tudo isso a nossa disposição, ficava difícil querer sair do Hotel! Mas alí estávamos e lá fora também tinha muita coisa pra ver! Tomamos nosso cafe - aliás muito bem servido, e pegamos nossas motos para um breve rolê no sal!
Por incrível que pareça, nesta imensidão branca existem pequenas trilhas formadas pelas rodas dos carros. Até o GPS mostra um caminho a se seguir. Nossa intensão não era ir muito longe - apesar de querer encontrar as áreas alagadas do deserto para poder tirar as famosas fotos espelhadas, o pessoal do hotel não aconselhou a gente a sair da trilha pois poderia ser muito perigoso. Depois descobrimos os motivos: o principal deles é que esse deserto de sal na verdade é uma camada de sal que se forma sobre um lago. Em alguns trechos, essa camada é extremamente fina e o piso quebra, formando os "ojos del salar", que são crateras no meio do salar que dão diretamente na água. Tivemos a chance de ver algumas pequenas crateras, mas tem locais que elas são grandes e teria o risco da moto cair lá dentro com a gente em cima!

Outro risco era a gente se perder. Apesar de que aonde a gente estava, parecia ser fácil criar referências com os vulcões e paisagens externas, assim como a posição do sol. Porém, caso tivesse uma mudança de tempo e formassem nuvens, perderíamos totalmente a referência de norte e sul. Pensamos em usar o GPS, mas também nos disseram que no meio do deserto o GPS fica "doido" e perde a sua localização.
Não queríamos arriscar, e vamos deixar um passeio mais profundo no salar para uma próxima viagem que tivermos mais tempo para estudar os perigos e nos prepararmos para passar por eles. Desta vez, estávamos bem contentes de termos chegado até alí e poder tirar algumas fotos lindas com essa imensidão de branco que parece neve.
Fomos visitar os pontos turísticos básicos, que é a Praça das Bandeiras e o Monumento do Bolivia Dakar, da época em que o Rally Dakar era realizado ali. Também entramos num Hotel de Sal que estava alí para exposição, beeem mais simples que o nosso mas tão interessante quanto.
A experiência de andar por alí foi, mais uma vez, uma sensação surreal desta viagem - imagina a gente ter saido de uma cidade como São Paulo, ter andado quase 4.000km em cima de uma moto, e chegar num lugar tão inóspito como esse!! E era real, estávamos lá!!!
Andar de moto no sal é engraçado. Não é como terra, não é como asfalto, não é como areia. É sal. Em alguns trechos ele esta duro como pedra. Em outros, ele fica meio molhado e escorregadio como lama. Eu queria mesmo ver as partes alagadas, mas esse deserto tem mais de 100km de dimensão, e eu tinha uma piscina quentinha me esperando no Hotel, e ainda muitos dias de viagem pela frente. Não queria arriscar estragar a moto, cair ou me machucar. Achei que a conquista de estar ali já era muito mais do que podia imaginar! E como digo em outras viagens, tem lugares que eu gosto de deixar algo por fazer pra ter motivo pra voltar. Outros eu quero liquidar tudo pra não precisar voltar. A Bolivia certamente é um país que quero voltar e essa região do Uyuni tem muuuitas coisas ainda para serem vistas.
Então, bora aproveitar o Hotel pois esse eu não sei se voltamos! rsrs
Troquei minha roupa pesada de moto e de frio por um biquini levinho, e fui pra piscina! Que relaxante! Fiquei um tempinho ali embaixo da cascata pra massagear as costas e revigorar as energias!
Depois de lá, comemos um lanche rápido no bar do hotel, e descansamos um pouco mais no quarto. Aqui na Bolivia a sensação de cançaso ao fazer qualquer atividade física pegou mais forte! Andar do restaurante pro quarto era algo cansativo! rsrsrs Os nossos shots de oxigênio ajudaram a revigorar!
Enquanto estávamos no quarto, reparei o quanto a paisagem do salar é estática. Tirando o momento que o sol aparece na janela e começa a descer até se por, a paisagem não muda! Não vemos árvores se mexendo com o vento, ou pássaros, ou cachorros... nada acontece! Parece um quadro! Algo interessante de se observar.
Por volta das 17h resolvemos sair com uma moto para tirar umas fotos com o por do sol no meio do salar. A temperatura caiu bastante, e o vento aumentou! Ficamos por algum tempo ali, improvisamos algumas fotos cliches em perspectiva, mas aqui nesta altitude e tão exposta à natureza, o bichoo pega! O hotel quentinho me chamava de volta! Antes de escurecer voltamos pro Hotel. A sensação de ar seco, de sede, de frio são bem presentes.

Na volta do hotel notamos como as motos estavam sujas de sal. E sal é um perigo, corrói tudo! Pedimos na recepção do hotel para usarmos a mangueira deles para dar uma limpada nas motos, e eles não deixaram - falaram q tínhamos que ia até Uyuni para pagar por uma lavagem. A cidade de Uyuni estava a 15km dalí e já estava ficando noite.
Achei essa uma atitude muito não gentil da parte deles. Estão no meio do salar, obviamente todos que saem de carro alí se submetes ao sal - nada melhor do que oferecer as mangueiras aos hóspedes! Mas enfim, essa foi a única reclamação. Na falta da ajuda deles, enchemos as 3 garrafinhas de água que tínhamos com água da torneira e fizemos umas 4 viagens do quarto até o estacionamento e lavamos as motos aos poucos. O frio e o vento estavam quase que insuportáveis lá fora! Mas o pôr do sol foi bonito!

Fizemos nosso jantar no Hotel, comemos muito bem nesses dias. Conhecemos um casal de São Paulo que também estavam hospedados lá, e eles nos contaram que estavam fazendo um tour de vinícolas pela Bolivia! Fiquei surpresa ao saber que havia produção de vinhos na Bolivia, e que eram muito bons! Se soubesse disso ontem teria experimentado no jantar!
Hoje não dava mais pra beber pois amanha tem muita estrada de novo!
Mas fica a dica, na verdade são 2 dicas de coisas que preciso fazer quando voltar nesta região:
- tour de vinhos na Bolivia
- passeio pela região do salar até as áreas inundadas para tirar as fotos espelhadas















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