Dia 12: Uyuni (BOL) > Tilcara (ARG) - 533km
- Eles Vivem Viajando
- 4 de jan. de 2023
- 5 min de leitura
Atualizado: 28 de jan. de 2023
Quarta, 04/01/2023
E lá vamos nós seguir nossa viagem!
Acordamos cedinho pra preparar as motos. O termômetro marcava 4 graus!!
Hoje nós fizemos uma mudança em nosso roteiro "original"- se bem que depois de cancelar o Perú, nada mais ficou original rsrsr.
Nossa idéia era sair do Uyuni na Bolivia e entrar direto no Chile por Olague. Isso economizaria uma fronteira, e eu estava "apegada" a conhecer as cidades de Arica e Iquique no Chile que faziam parte do roteiro de ida ao Perú. No entanto, algumas coisas nos fizeram mudar de idéia:
- Ir até Arica significava ter um trecho de uns 750km de ida + 750km de volta só pra passar 1 noite lá. E não tinha nada tão surpreendente.
- A estrada que ligava Uyuni na Bolivia até Olague, no Chile, era totalmente de terra - e desta vez não teve nenhuma pessoa que nos deu uma boa notícia dizendo que a estrada estaria asfaltada - ela ainda era de terra, com bolsões de areia, o que exigiria uma pilotagem off road de minha parte que não seria tranquila.
- Neste trecho da Bolivia também não tinhamos informações de postos de gasolina ou locais para alimentação. Teríamos que levar combustível no galão e lanchinhos para o almoço.
- A fronteira desta parte era "chata", pois muitos ônibus de turismo saiam do Atacama e paravam alí, então sempre estava cheio de tuisttas pedestre fazendo os trâmites, e vimos relatos de muita espera.
- Nosso amigo Ed tinha entrado na viagem inesperadamente, e se a gente fosse até Arica a gente não conseguiria mais encontrar com ele, que já estava no Atacama.
Por essas razões, decidimos deixar essa experiência off road para a nossa próxima visita a Bolivia e voltamos pelo mesmo caminho que viemos. Afinal, já conhecíamos a estrada, os postos policiais, os funcionários da aduana, enfim, tudo parecia ser mais fácil. Implicaria em 2 dias seguidos de fronteira, mas teriamos chance de conhecer melhor Antofagasta e a Mano del Desierto que também não estavam no plano original em que iriamos até Arica.
Então, saimos o mais cedo possível do hotel e pegamos a linda estrada 21 da Bolivia. Por ser de manhã, desta vez o clima estava calminho e não pegamos os ventos e tempestades de areia que pegamos no dia em que viemos.
O céu estava azul e prometia uma pilotagem tranquila.
Porém...
Quando começamos a subir as montanhas do nosso caminho, o tempo começou a fechar, foi ficando cinza, e esfriando cada vez mais. Lá no alto, a temperatura chegou a 2 graus! E o Roger viu até floquinho de neve caindo!

A moto deu aviso de perigo de congelamento na estrada - o que seria bem perigoso, o asfalto ficaria lisinho como uma pista de patinação no gelo!
E chovia aquela garoa fina, com ventos moderados... nós mantivemos a velocidade - e a calma - e passamos muito bem por mais essa experiência. Uns minutos, ou quase 1h depois, já tinhamos descido um pouco a altitude e o clima melhorou!
Então conseguimos admirar novamente toda aquela paisagem incrível da Bolivia, e fazer planos para voltar ao país assim que possível.
Estava tudo correndo muito bem, e chegamos na fronteira por volta das 14h - sem parar nem pra abastecer nem pra almoçar. E ai bateu o desespero ao ver o tamanho da fila que nos esperava!! Meu dellllssss!

Estacionamos a moto ali do lado, e entramos na fila. Uns brasileiros que estavam alí viram nossa cara de espanto e nos chamaram, dizendo que estavam esperando ha mais de 1 hora já. A fila era enorme e bagunçada, e ainda entrava numa casinha sem janelas, amontoada de mães, filhos, malas, turistas gringos e gente local.
Vimos pessoas furarem fila descaradamente, uns brigando para eles sairem, outros acalmando que chegaria a nossa vez. Não deu pra entender porque tanta demora, mas só ouvia choro de criança e o impacto dos carimbos quando os processos eram concluidos.
Pelo que entendi, a demora se dava pela falta de documentação dos bolivianos que queriam sair do país. Era crainça que não tinha autorização dos pais, era velhinho que não tinha nenhum documento ou só um papel rasgado, tinha de tudo alí! Só sei que quando a gente conseguiu ser atendido, não demorou nem 30 segundos: ele pegou o número do passaporte, digitou no computador, carimbou um papel e pronto.
Depois disso, fomos fazer a saída da moto no mesmo guiche que fizemos a entrada. Alí também tinha uma pequena fila, mas depois do que pegamos antes tudo foi fácil.
A próxima etapa era a vistoria na aduana. Passamos primeiro sem as motos, e aí, teríamos que pegar as motos para fazerem a inspeção da bagagem. Nesta hora deu mais desespero, pois mais uma vez tinha uma fila grande e estava entrando um caminhão e um ônibus de excursão.
A sorte foi que o guarda argentino nos viu, e falou: vocês estão de moto? Podem passar na frente e vir direto aqui! Ufaaa! Pegamos as motos e lá fomos nós! O guarda boliviano que estava mais a frente não queria deixar a gente passar, mas discutimos com nosso portunhol fluente e lá fomos nós na frente dos carros, caminhões e ônibus. Tiremos que tirar toda a bagagem pra passar no raio X e depois montar tudo de novo. E aí, ates da saída final, tivemos que conversar com os guardas argentinos sobre o tipo de moto, quanto custava, de onde estávamos vindo, e é claro, aceitar que a Argentina ganhou a Copa do Mundo! rsrsrs
E eu vou dizer uma coisa: a Argentina ter ganhado a copa foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para esta nossa viagem! Todos eles estavam felizes, e ao ver que éramos brasileiros, ficavam com pena, ou com ar de superioridade, e facilitavam as coisas pra gente.
Todos os guardinhas que nos pararam só perguntavam disso - não queriam nem saber de documento ou carta verde - só queriam dizer na nossa cara que eles eram os campeões do mundo!! E que assim seja! Viva o Messi!!!
Bom, e aqui termina nossa curta experiência da Bolivia. Foram poucos dias, mas deu vontade de voltar. Só não foi fácil essa parte de fronteira - que aliás, conhecemos um rapaz que veio da Espanha de moto, e ele estava entrando na Bolivia enquanto estávamos saindo.
Porem, quando paramos no posto de gasolina da Argentina, ele apareceu atrás da gente dizendo que depois que ele tinha feito todos os trâmites, ele entrou no país e foi parado no primeiro posto policial, que pediu um "seguro". Nós não fizemos nenhum seguro para entrar na Bolivia, e ele foi impedido de seguir viagem por causa deste seguro. Ai fica de novo a dúvida se a gente estava com toda a documentação certa ou se tivemos sorte! rsrs
Dalí seguimos caminho pela mestra estrada que viemos, a Ruta 9, pegamos chuva, frio, vento, mas chegamos vivos em Tilcara. Chegamos quase 8h da noite, já estava escuro!
Fomos direto pro Hotel, e jantamos lá mesmo. Hoje foi um dia que eu me senti exausta! Queria muito conhecer Tilcara a noite, mas não vai dar! Vai ficar para a próxima!















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