Dia 18: San Pedro de Atacama (CHI) > Purmamarca (ARG) - 406km
- Eles Vivem Viajando
- 10 de jan. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 30 de jan. de 2023
Terça, 10/01/2023
Hoje me dei conta que estamos já no nosso caminho de volta pra casa! Tudo bem que serão mais de 3.000km e provavelmente uns 6 dias até a gente chegar em casa, mas ainda assim, é uma volta.
Vamos percorrer quase que o mesmo que caminho que fizemos para chegar até aqui, porém, agora sem rodeios! Pegaremos as estradas mais rápidas e tentaremos parar em cidades novas. Mas de um jeito ou de outro, começou a me bater aquela sensação ruim de fim de viagem! Esta sendo tão incrível que a minha vontade era seguir pro Perú, pra América Central, pro Alaska!!
Mas, nos contentando com o que temos, que aliás está é muito bom, acordamos dispostos a subir a cordilheira novamente. Hoje é dia de atravessar fronteira, mudar de país, e chegar numa cidadezinha que estou bem curiosa para conhecer: Purmamarca.
Então, acordamos, tomamos o café limitado da pousada (era 1 fatia de pão, 1 potinho de manteiga, 1 tipo de fruta, e café solúvel. Leite quente, se quiser, use o microondas! E tudo isso pela "bagatela" de 105 usd por dia. Enfim, comi meu pão com manteiga, fechei a mala, e nos juntamos às motos!

A saída de San Pedro foi fácil! Mais uma vez, pegamos a estrada reta que subia lentamente como um avião decolando! Hoje o dia estava claro e sem nuvens, então foi possível apreciar a paisagem dos vulcões bem melhor do que no dia em que chegamos. Pegamos frio na subida da cordilheira, e rapidamente chegamos na fronteira. San Pedro fica a apenas 160km do Paso de Jama, que é a fronteira entre o Chile e a Argentina.
A passagem desta fronteira foi muito simples e organizada. Tinham os mesmos 4 chiches da ida, mas estava mais vazio, e desta vez não quiseram revistar a nossa bagagem. Então em 20' fizemos todos os trâmites e já estavamos de volta na Argentina.
Paramos no posto de gasolina YPF que tem alí do lado, e que por sote tinha gasolina, e enchemos o tanque das motos. Nessa hora, pedi para pegar a GoPro que pela primeira vez estava sendo usada em um acessório na moto do Roger, que capturava imagens mais de frente da moto.
E ai bateu um gelo na alma: ONDE ESTAVA A GOPRO? Perdemos ela!!! O suporte estava quebrado. Que tristeza enorme saber que tinha perdido todos os filmes que tinha feito da viagem, todas as emoções de ter chegado nos lugares que chegamos gravadas na hora que estávamos vivendo o momento. Tudo estava lá. Não tinha backup, a não ser dos 3-4 primeiros dias de deslocamento. Mas as grandes estradas e os grandes momentos estavam só lá!
Enfim, não tinha o que fazer. Não sabemos se ela tinha sido roubada alí na fronteira (o que é pouco provável, pois tinham muitos guardas, e além da GoPro que estava presa, tinha também o Spot, o meu Iphone e tudo ainda estava lá intacto) - ou se com a trepidação da estrada, o suporte quebrou e a GoPro caiu na estrada, o que é mais provável. Fico imaginando a GoPro alí largada no meio do deserto, e com o case a prova dágua que ela estava, ela vai durar por anos! Será que um dia alguém vai achar e ver os vídeos? Um dia em que o mundo não seja mais como é hoje? Já pensou? Espero que ela tenha um bom futuro!
Passando a fronteira e passando o choque de ter perdido a câmera, subimos na moto e seguimos estrada. Desta vez, combinamos de parar em mais pontos para tirar fotos e registrar o que possivel com o celular, afinal, seriam nossas únicas recordações.

A primeira parada foi num pasto de Lhamas. A parte da altitude da viagem estava chegando ao fim e eu ainda não tinha conseguido abraçar uma lhama! rsrsrs Tinha visto este pasto na ida, mas como o tempo não estava bom passamos direto. Desta vez, parei, desci, e corri atrás de muitas lhamas. Mas nenhuma delas me deu bola. Nem as grandes, nem as filhotes, era só eu chegar perto q elas iam saindo. Tentei até correr atrás delas mas não deu certo, elas não me deram bola. Aceitei que o abraço da lhama seria mais um ponto pendente para uma próxima viagem, e voltei pra moto.
Seguimos viagens, passamos reto pelos Pastos Chicos e paramos nas Salinas Grandes. Desta vez, mais distante do impacto do Salar do Uyuni, gostei de rever um salar novamente.

Menor que o Uyuni, claro, mas também muito bonito. Comemos uma tortilla rellenha de queso y ramon (um pastel assado com uma massinha tipo de pizza, recheada de presunto e queijo) e umas empanadas, refrigerantes, e tudo custou 1.100 pesos, que no câmbio blue daria aproximadamente 18 reais! Viva, estamos de volta ao país barato!!
Alí nas Salinas Grandes tinha uma lhama de sal enorme. Não perdi a chance a aproveitei para tirar uma foto abraçada com ela. Foi a única lhama que consegui para abraçar durante esta viagem rsrsrs Quem não tem cão, caça com gato!
Depois de lá, tentamos novamente parar no Monolito dos 4.170m, mas de novo, estava lotado! Tiramos uma foto de longe e seguimos viagem.
Descemos as curvinhas da Costa del Lipan, e aproveitamos a vista das cordilheiras, quase que pela última vez! Seriam nossas últimas curvas da viagem!
Por volta das 17h chegamos em Purmamarca. Nos hospedamos numa pousada simpática e de fácil acesso, e logo saimos para passear.

A vila de Purmamarca é pequena e muito agitada. Tem a tal praça com passeios em X, a Igreja, e muuuitos vendedores de chales e cachecóis. Fico pensando quanto tempo eles demoram pra vender tantos produtos iguais!

Aproveitamos que ainda estava sol e fizemos o reconhecimento de toda a cidade em poucos minutos: subimos no mirados do Cerro de 7 Colores, fizemos uma pequena trilha para avistar a cidade do alto, passeamos na Igreja e na praça e visitamos algumas lojinhas.
Jantamos num restaurante de parrilha indicado pela funcionária da pousda, mas estranhamente, a parrilha só tinha o ässado de tira" como carne de vaca. As demais eram carnes de outros animais que não me apeteceram. Comi então um guisado de lentilhas com carne de lhama, que estava saboroso, mas não posso negar que meu coração doia a caca colherada que eu daca! Coitada das lhamas!!!
Purmamarca foi uma cidade charmosa, e vale passar uma noite por alí pra sentir o clima de cidade de interior das montanhas. Mas não mais que isso!










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