Dia 20: Salta > Resistência - 809km
- Eles Vivem Viajando
- 12 de jan. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 30 de jan. de 2023
Quinta, 12/01/2023
Hoje seria o dia mais cansativo da viagem, em termo de quilometragem e de possibilidades de calor. Mais de 800km nos esperavam no famoso chaco argentino. Diferente da ida, na volta pegaremos a estrada mais reta - se voce olhar no mapa, parece que foi feito com uma régua. E na prática é assim tam'bem.
Não sabíamos se iríamos aguentar ir até Resistência, pois são muitos km e tudo pode acontecer: chuva, vento, calor. Então deixamos a possibilidade de parar em Presidencia Saez Pena, que era alguns quilometros antes. Deixamos alguns hoteis como favoritos (apesar que em Saez Pena não tinha nada de bom), e saimos do hotel às 7h da manhã na tentativa de otimizar o tempo sem tanto calor na estrada.
Tem gente que consegue sair mais cedo, tipo 5 ou 6h da manhã. Mas isso pra mim é realmente muito difícil. Eu simplesmente detesto acordar cedo rsrs sair as 7h já é um sacrifício pois significa que tive que acordar umas 5h30 pra estar na moto as 7h, então já me dou por orgulhosa por dizer que as 7h01 já estavamos na rua!
As primeiras 4h da viagem, até umas 11h da manhã, foram bem suportáveis. O sol estava ameno, com temperaturas máximas de 30 graus. Neste percurso é necessário fazer um cálculo do consumo de combustível pois tem vários trechos sem nenhum ponto de abastecimento.

Paramos em um posto bem ruinzinho em Monte Quemado, por volta das 11h, onde tomamos um sorvete, água e salgadinhos. Depois de lá, de uma hora pra outra, o termômetro bateu 41 graus e não desceu mais! Era um calor que vinha do asfalto, do vento, do céu, que não tinha pra onde escapar. Eu sentia o suor escorrendo pelas costas mesmo andando em velocidade na moto.
Por volta das 15h nós conseguimos chegar em um posto bom da rede YPZ em Saez Pena. Paramos pois precisavamos abastecer e comer alguma coisa. O posto, para varia, tinha fila. Naqueles 10 ou 15 minutos que ficamos parados na fila me deu um mal estar muito grande pelo calor. Só lembro que entrei na loja de conveniência do posto (a Full, que é tipo Graal deles), e fiquei parada por uns minutos, sentada embaixo do ar condicionado! Que calor insuportável!!
Ficamos um tempinho por alí pra nos recuperarmos. Comemos um lanche, e falamos com uns caminhoneiros. Eles, sempre muito simpáticos dentro e fora da estrada, disseram que preferem transitar alí somente a noite, pois o calor é realmente insuportável!
Pensamos na possibilidade de dormir naquela cidade mesmo, mas como não tinha nenhum hotel "legal" (isso que dizer um hotel com piscina), resolvemos seguir até Resitência. Seriam apenas mais 180km, e lá um hotel com uma piscina enorme nos esperava, e era o motivo pra fazer eu seguir em frente!

Eis que a uns 20km de chegar no hotel, a temperatura começa a cair, de 40 para 20 graus em menos de 15'. O céu foi ficando cada vez mais escuro, e eu só imaginando a piscina cada vez mais improváveál no final do dia.
Até que a menos de 10km do hotel, começa a cair a maior tempestade!
A gente tentou resistir e não para para colocar as roupas de chuva, mas estava muito forte e não conseguiamos enxergar muita coisa. Paramos no acostamento e nos fantasiamos de motoboys, para enfrentar os últimos kms de estrada.
Achando que seria relativamente fácil, reservamos um hotel bem legal, mas que estava bem no centro da cidade. Olhei no google antes de ir, e o acesso era bem tranquilo mesmo sendo no centro. O que eu não contava era que com a tempestade que estava caindo, a cidade estava completamente alagada! Cada esquina tinha um lago de água! Nós tivemos que passar com água no meio da roda, e desviar da rota por conta de trechos que pareciam inacessíveis! Não sei como chegamos no hotel, mas felizmente deu tudo certo. Chegamos escaldados de água, que deu até vergonha de entrar no hall do hotel, que também era um casino, e estava cheio de gente bem arrumada! hahaha
Bom, molhados ou não, lá estavamos nós no hotel de Resistência. Nosso quarto dava de frente pra piscina, mas com a chuva que caiua, não deu pra entrar nela. O que fizemos foi tomar um banho demorado para recuperar um pouco do cansado dos 800km rodados, e com a energia renovada e chuva amenizada, saimos a pé para conhecer os arredores do Hotel.
Resistência não é uma cidade turística, mas é uma cidade interessante.
Tem bastante comércio, calçadas fechadas para pedestres, a tal praça ( que estava fechada em obras), e curiosamente, tem inúmeras esculturas espalhadas pelas ruas. Eu senti vontade de passar um dia inteiro lá em Resistência, alternando entre a piscina, o passeio pelas lojinhas e a caça às esculturas mais entranhas pelas ruas. Acho que seria um bom dia de descanso.
Mas nós chegamos tarde, e com chuva, então só deu pra ter o gostinho. Resolvemos jantar no hotel mesmo, pois o tempo não estava firme e parecia que choveria de novo. O hotel também tinha um cassino, demos uma volta mas não gastamos nossos pesos por lá!













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