Dia 22: Posadas (ARG) > Guarapuava (BRA) - 617km
- Eles Vivem Viajando
- 14 de jan. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 30 de jan. de 2023
Sábado, 14/01/2023
Hoje é dia de cruzar fronteira - de novo! rsrsrs
Estou até melancólica sobre isso, depois de 5 fronteiras em menos de 20 dias, saber que hoje seria a última fronteira da viagem me deixou meio deprê! Deixar a Argentia e chegar no Brasil... não sou muito patriota e o que eu queria mesmo era uma viagem só de ida... estar sempre indo para algum lugar e nuncz voltando!
Posadas foi a nossa última cidade da Argentina. E também a última cidade com algum atrativo. Agora, temos 2 ou 3 dias pra chegar em SP. Parece muito, mas são 1.400km ainda! rsrsrs
Engraçado a mente humana, o nosso psicológico: na ida, a gente percorreu esses mesmos kms pra começar a viagem, mas a vontade de ir era tão grande que a distância, a chuva ou calor, não me afetava. Agora em ritmo de volta, eu penso nesses 1.400km e me dá preguiça! Vejo que vai chover e já penso ... xiiii... rsrsrs
Mas tudo bem, essa era a idéia de viagem desde o começo, e agora, temos que completar o ciclo, e pensar na próxima.

Então, saimos do nosso Hotel em Posadas e pegamos estrada. Decidimos experimentar uma nova fronteira: a de Bernardo de Irigoyen (ARG) x Dionísio Cerqueira (BRA). Isso porque a fronteira de Foz do Iguaçu é muito movimentada pela enorme quantidade de turistas que passam por alí querendo conhecer as cataratas. A fila era muito grande na ida, e achamos que na volta estaria igual. Além disso, conhecer um novo lugar e pegar uma nova estrada dava uma animada na viagem!
Quem nos deu essa dica foi um casal de brasileiros que conhecemos em Cafayate. Disseram que a estrada era uma graça, e que a fronteira era mais fácil. Nosso amigo Ed, que passou por lá 1 dia antes que a gente, também disse que foi bem tranquilo.
Pegamos então um pedaço da RN 12, que já nos era conhecida da ida e do longo trecho do Chaco na volta, mas logo saímos numa interligação e pegamos a RN 14. Conforme nos aproximavamos da fronteira, a paisagem ficava mais parecida com o Brasil: mais árvores e menos pasto. Pegamos um dia bom até uns poucos kms antes da fronteira, que começou a chover.

Chegando em Bernardo de Irigoyen, vimos uma - até que - pequena fila de carros. Mas como dizem que moto tem preferência, fomos pedir ao guarda para educadamente furar a fila. Ele disse pra gente estacionar as motos logo alí na frente, e ir a pé até um guiche vazio. Lá, mostramos nossos passaportes e documentos da moto, e o rapaz que nos atendeu foi rápido e simpático. Em menos de 2 minutos os trâmites estavam resolvidos. Voltamos pra moto, passamos na frente da fila, e lá na frente onde era a aduana, também passamos direto! Eita facilidade!!! Se todas as fronteiras fossem assim, seria bem mais fácil viajar!
E lá estavamos nós, de volta ao Brasil! Bom ou ruim, não sei - só sei que a missão estava se completando.
Como toda cidade de fronteira, Dionisio Cerqueira não tinha muitos atrativos. Decidimos então rodar mais uns 100km e chegar até Francisco Beltrão, uma cidade arrumadinha que tinha uma cafeteria bem avaliada.
Começar a rodar no Brasil já mudou um pouco o astral. Carros sem paciência colando atrás, caminhões não tão simpáticos... este é o Brasil. Mas também, um visual lindo de morrinhos cobertos de verde, com muitos tons de verde! Podiam fazer um "mirador do cerro de 50 colores de verde", pois é incrível a quantidade de tons de verde que se enxerga de todos os lados!

Pegamos um mix de 30` de chuva e 30` de calor, o que fez a gente ter que parar muitas vezes para tirar e colocar roupa. Chegamos famintos na Cafeteria Iraci. A primeira coisa que o Roger pediu foi um guaraná hahaha. Comemos uns lanches e docinhos muito bons, e no meu café veio um bilhetinho com uma frase que veio a calhar:
"O Maior risco que se corre em uma viagem é ela nunca começar"
Amyr Klink
E pensei: é verdade! A gente teve tanto imprevisto e tanta chance de não fazer a viagem, e se não tivessemos insistido, a gente não estaria aqui hoje, sentados nessa confeitaria, tomando um café e nos orgulhando de tudo que vivenciamos nos últimos dias!
Cogitamos dormir nesta cidade, pois já estava cansada, mas resolvemos enfrentar mais 200km de estrada e chegar em Guarapuava, isso faria com que a nossa viagem pudesse ser finalizada em mais 1 dia. Se dormissemos lá, precisariamos de mais 2.
Só que esse trechinho final foi chato! Essa parte da estrada entre Dionisio Cerqueira e Guarapuava, como um todo, é chata. Pista simples em quase tudo, muita curvinha simples - o que poderia ser o máximo para um motociclista, mas tinha muita carro e muito caminhão, o que tornava as ultrapassagens constantes e um clima de estrada não tão legal. E para piorar, pegamos de novo muita chuva e multo calor!
Só sei que nessa situação, chegamos em Guarapuava depois das 19h, já estava escuro! Só nos restou pedir comida no quarto e dormir!



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