Dia 8: Cafayate > Huacalera - 381km
- Eles Vivem Viajando
- 31 de dez. de 2022
- 4 min de leitura
Atualizado: 28 de jan. de 2023
Sábado, 31/12/2022
E chegou o último dia do ano!!! Quem diria que estaríamos numa viagem tão incrível como essa, e agora, acompanhados do nosso amigo Ed, o terceiro "moteiro"!

Nosso percurso para hoje era pra ser simples e rápido. Porém, as estradas foram tão impressionantemente lindas que os 380km demoraram 9h para serem percorridos!
Saímos de Cafayate por volta das 9h30. Nos encontramos com o Ed em um posto na saída da cidade, e de lá seguimos para conhecer a "Quebrada de Las Conchas".
Esse percurso pega aproximadamente 40km de extensão da Ruta 68. Logo na saída já nos deparamos com cenários cinematográficos, que muito se parecem com o Monumental Valley do Arizona, nos Estados Unidos.
São formações rochosas bem vermelhas, com riscos bem marcados, que formam figuras de acordo com a capacidade da sua imaginação. A gente queria parar a cada km para tirar uma foto de um novo ângulo!
No nosso roteiro marcamos alguns pontos principais de paradas para foto, mas ao vivo tem muito mais opções! O legal de estar de moto é que se pode parar aonde quiser - vimos que as excursões paravam somente no ponto mais famoso, que é o "anfiteatro", um espaço de formação natural que tem uma acústica incrível. Imaginamos quantos eventos e oferendas devem ter sido realizados alí pelos povos antigos que habitaram essa região!!

Mas imagino que quem estava em ônibus e van de excursão só podia ver tudo isso através de uma janelinha, sem sentir o vento, e a imensidão que essa paisagem transmite. Melhor do que nada, mas me senti privilegiada de estar na minha própria moto!!

Bom, passados esses 40km, o final da rota é na "garganta del diablo", onde as rochas se afunilam formando um desenho interessante de se ver. Depois dalí a estrada continua bonita, mas essas formações diferentes não aparecem mais!

Seguimos nosso destino que era chegar até Huacalera. Hoje é dia 31 e teremos festa de final de ano a noite. Paramos para um almoço rápido próximo de Salta (empanadas, de novo), e seguimos estrada.
Como se não bastasse a rota maravilhosa que fizemos pela manha, decidimos escolher a estrada mais longa, e claro, mais bonita. Essa estrada é a Ruta 9, que passa pelos diques (represas) da região. A estradinha tem um trecho de aproximadamente 30km de muuuitas curvinhas, mas o que pega nela é que a largura da estrada é de aproximadamente 3m e é via de mão dupla com pista simples! Então não dá pra correr! Demoramos quase 1h para percorrer esse trecho! Vale a pena, o visual é lindo e a paisagem é muito parecida com o Brasil: muitas árvores e floresta fechada de todos os lados!

Depois deste trecho abre uma estrada grande, e mesmo continuando na Ruta 9, o trecho que vai de San Salvador de Jujuy até quase Huacalera é pista dupla, quase uma highway!
Chegamos no nosso hotel por volta das 18h30, e ainda estava claro! Hoje chegamos a altitude de 2.600 metros, seguindo com nosso plano de ir subindo aos poucos!
O Hotel Huacaleira é uma graça, um certo luxo despojado em meio as montanhas da Cordilheira dos Andes, com serviço de qualidade ao mesmo tempo que temos Lhamas no jardim! Quarto amplo, cama confortável, chuveiro forte e quente ( e com banheira - lá vamos nós lavar roupas hehehe). O único inconveniente dele é que ele é afastado de tudo, fica no meio do nada!
O hotel organizou uma festa de reveillon. Escolhemos ficar lá pois como estamos de moto, não seria possível (para mim) ir de moto pra uma festa a noite, beber, e depois voltar pro hotel. Tínhamos que ficar hospedados no lugar da festa! O restaurante ofereceu um menu muito bem elaborado de comidas exóticas, todas preparadas com requinte e muito saborosas. As bebidas eram a vontade, desde Aperol até vinhos. E também teve dj.
A festa prometia, mas na prática, depois do jantar ficaram poucas pessoas na "festa", que tocou reggaton argentino a noite toda! Eu me diverti muito! Eu e mais umas 3-4 pessoas que estavam pulando lá na pista comigo! hahaha

Mas para nós que estamos acostumados com as super baladas de Floripa, não foi assim, digamos, uma mega festa de ano novo! Parecia uma festa de casamento, com algumas familias que se conheciam. Foi bem organizado, comida e bebida muito boa, mas faltou a presença de mais gente talvez!
Acho que essa região da Argentina não tem muita tradição de festa de ano novo. Eu pesquisei - e muito - mas não achei nada! Salta, que é a cidaade grande e charmosa da região, dizem que fica às moscas, não tem nem cachorro na rua - inclusive falei com 2 ou 3 bares conhecidos da região e todos confirmaram que fechavam as 16h no dia 31.
Tilcara, que é a cidadezinha mais estruturada dessa parte do norte, também não prometia muita coisa - apenas um dos restaurantes da praça abriria e teria churrasco de lhama na noite de ano novo. Mas até dia 22-23 de dezembro ainda não estavam certos, não tinha menu nem valor e ninguém sabia de nada.
Então preferimos garantir pelo menos um jantar legal, em lugar fechado e do lado do nosso quarto! Foi ótimo! E assim, entramos em 2023: a 2600m de altitude, numa micro-cidade encrustada na Cordilheira dos Andes, com comidas excelentes, bebendo ótimos vinhos, e tendo lhamas no jardim como companhia no pós festa! Acho que não tem como ser mais exótico que isso!!!















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