Dia 3: Las Vegas > Grand Canyon Village - pegamos a moto!
- Eles Vivem Viajando
- 30 de out. de 2023
- 5 min de leitura
Hoje é o dia que a emoção de alugar uma moto num país diferente começa!!!
Desde sempre achei legal a idéia de andar pela Rota 66 de moto! Depois que virei "pilota", a vontade cresceu mais ainda!! Achei uma empresa que aluga motos por lá, e desde então, tenho namorado a ideia de transformar essa vontade em realidade!
Isso quase aconteceu algumas vezes, mas por um motivo ou outro, sempre acabei desistindo e ficamos no tradicional rolê de carro.
Mas desta vez, não deixei escapar! Era meu aniversário, a gente estaria ao lado dos lugares icônicos para viagens de moto, e bem ou mal, a vida passa e temos que aproveitar as chances que temos!
Então, saimos cedo do nosso hotel e fomos pra Eagle Rider Las Vegas! Uma das maiores locadoras de moto do mundo!

O processo de locação foi relativamente simples: escolhi o modelo, dias e horários pela internet. Temos opção de acrescentar seguro (coloquei todos os seguros disponíveis, o que deixou o aluguel o dobro do valor - nada diferente das locações de carro). Eles também disponibilizam locação de capacete e casaco, mas eu levei todos os meus do Brasil.
A única coisa diferente de um aluguel de carro é que tem uma opção de pagar 100 usd a mais para ter certeza que a moto que voce escolheu vai estar disponível... eu não paguei, e fique ansiosa até a hora de chegar lá e ver que a moto reservada era a que seria disponibilizada: uma BMW R 18!
Mas como assim eu não aluguei uma Harley????
Vamos lá: fator número 1 foi valor: por incrível que pareça, a R18 estava quase metade do valor da Deluxe. Talvez porque a R18 tinha opção dela "pelada", sem bolha e malas, e a Deluxe só tinha opção toda equipada. Gastei 760 usd pra R18, e a Deluxe sairia 1.300usd. Não é pouca coisa!
Fator número 2 foi a minha vontade de experimentar a pilotagem em motos diferentes! Eu já tive Deluxe, Multistrada, Tiger, GS, Boneville - e agora teria a chance de testar uma R18!
Fator número 3: apesar de AMAR as Harleys, sinceramente fiquei com medo dela quebrar e confiei mais na BMW hahahaha!
Devaneios a parte, vamos voltar ao nosso dia! Pegamos uma pequena fila de checkin, nada complexo até porque eu já tinha feito o checkin on line. Em seguida, veio um funcionário explicar todos os detalhes da moto, que por sorte, tinha aquecimento de manopla, mas não tinha entrada USB (o que foi gentilmente resolvido já que eles me emprestaram um deles - o que salvou minha vida pois consegui usar o GPS a viagem toda)!
A moto era bacanuda! Grande, imponente! Mas o meu "erro", se é que posso chamar de erro, foi não ter escolhido uma moto com bolha! Vocês não imaginam a ventania que estava nesse dia, e o frio fora de época quer estava fazendo! Havia caido a primeira neve do ano em Moab (cidade que estavamos indo). Por sorte, tinha as minhas luvas com aquecimento via bateria, e comprei também um cachecol super quentinho pro pescoço! Não sei como não fiquei doente!!!
Saimos da Eagle Rider umas 10h e poucos, já com atraso na nossa planilha.
O primeiro trecho da estrada era as grandes highways dos Estados Unidos. Fomos numa tacada só até Kingman, os 170km mais sofridos! Uma estrada que só tinha eu de moto, ao lado de carros, RVs e caminhões acelerados! Todos numa velocidade alta, e eu, tentando manter os 100-120km/h com aquele vento fortíssimo direto no peito e no capacete!! E muuuito frio!
A sorte foi que o Roger estava de carro, então fiquei o tempo todo atrás dele neste começo de viagem!
E aqui vai um ( ): pois é, o Roger não quis alugar moto!! Achou que seria complicado de administrar a bagagem, e também achou caro pra alugar a moto que ele queria. No fim, foi mais confortável pra mim, pois não me preocupei com aquele “monta e desmonta” bagagem todo dia, além de poder jogar tudo no banco do carro nas paradas de postos de gasolina ou almoço! E a gente conseguiu inventar um jeito de colocar o nosso intercomunicador num fone de ouvido dele, net!ao mantivemos contato a viagem toda!!
Passados esses primeiro trechos de estrada chata, finalmente, chegamos novamente na Route 66!! Mas agora sim, eu estava lá de moto!!!! Sim, isso foi surreal!!!
Nossa primeira parada foi o Hackberry General Store. Um antigo posto de gasolina, que hoje mantem uma lojinha cheia de souvenirs da Rota 66. Lá tem muita coisinha legal pra ver e dá pra fazer ótimas fotos!!

Seguimos mais um pouco, e paramos no Lilo`s West Side Café. O nosso ponto de parada original era Roadkill Café, exatamente na frente do Lilo`s. Mas o Lilo`s parecia mais arrumadinho, já estava do lado certo da estrada, e no fim, acabou sendo uma ótima opção!

Dalí seguimos para Willians, onde apenas abastecemos a moto - e aqui cabe mais um comentário sobre a R18: o defeito desta moto foi o tanque extremamente pequeno e logo no primeiro dia já passei momentos de tensão rodando com o tanque na reserva.
E, assim rápido, deixamos a Rota 66 pra trás, e seguimos pela Rota 64 até chegar no Grand Canyon Village. Agora vocês começam a entender o nome da nossa viagem “a small piece of everything” rsrs!
Se tivéssemos mais tempo, poderíamos ter seguido mais um pouco na Rota 66 e chegar até Flagstaff, uma cidade famosa da rota, e quem sabe, dar uma esticadinha até a cidade de Sedona, que todos dizem ser muito legal - e lá também teria uma Eagle Rider para alugar a moto. A questão aqui foi a taxa de devolução para pegar a moto num lugar e devolver em outro, então decidimos ir até Las Vegas pra poder devolver a moto lá mesmo! Mas enfim, fica a dica pra quem esta lendo e pra eu mesma lembra desta opção numa próxima viagem por aqui!
A chegada no Grand Canyon Village foi bacana! Só para contextualizar, Grand Canyon Village já é o Grand Canyon, aqui a borda sul dele (South Rim). A cidade mais próxima seria Tusayan, a aproximadamente 10km, mas lá não tinha absolutamente nada: somente os grandes hotéis pra quem quer se hospedar mais barato e apenas visitar o parque de dia.
A entrada no Grand Canyon Village custa de 30-35 uso por veículo, e vale por pelo menos 7 dias. A gente gastou tudo isso apenas para 1 noite, mas valeu a pena!
Ficamos hospedados no Yavapay Lodge, o hotel mais baratinho dentro do parque (lá tem hotéis incríveis para quem pode ou quer gastar mais). A vantagem é que estávamos bem pertinho do Canyon, e deu tempo de ver e passear pela trilha antes do por do sol - que também foi um detalhes que não nos atentamos nesta viagem: sol nascia umas 8h e poucos e se punha as 17h e poucos, o que encurtou muito nosso tempo de luz - e neste caso - calor do dia!

Voltamos para o nosso quarto, que como um bom quarto americano, estava super confortável aquecido e arrumadinho! Estava tão exausta que nem saímos para jantar!
E foi ai que começamos a repensar nosso roteiro: com o vento forte e a moto sem bolha, frio inesperado e menos tempo de sol no dia, começamos a achar que não seria viável ir até Moab, como previmos inicialmente!!
Mas enfim, hoje só queria dormir e sonhar com a grande realização de ter andado de moto - mesmo que por poucos kms - pela Rota 66!!
Dia da viagem: 30-10-23



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